Licitação em dezembro/07
Helena Mader - Da Equipe do Correio
O projeto urbanístico do Setor Noroeste foi
concluído esta semana e o governo se prepara para lançar as primeiras
licitações das áreas destinadas à construção de prédios comerciais e
residenciais
Especialistas ouvidos pelo Correio acreditam que
o metro quadrado no Noroeste deva custar cerca de R$ 6
mil. Um apartamento de
Cifras bilionárias envolvem a última zona vazia
dentro da área tombada da capital federal. O interesse pelos terrenos também
promete movimentar o mercado imobiliário. O projeto inovador do Setor Noroeste
é o principal diferencial. “A idéia é corrigir erros cometidos no projeto do
Sudoeste que, por exemplo, tem apenas uma única entrada e uma única saída. Isso
causa enormes engarrafamentos. No Noroeste, esse problema é eliminado”, justifica
o secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Cássio Taniguchi. Outro problema existente no Plano Piloto e no
Sudoeste e que não existirá no Noroeste é a instalação de
escolas próximo a quadras residenciais, o que também gera
congestionamentos no trânsito.
O grande atrativo do Noroeste é a proximidade
com o parque Burle Marx, cujo projeto foi integrado ao setor. Além de servir
como compensação ambiental pela construção do novo bairro, o parque será um
espaço de convivência para os moradores. O Burle Marx será parecido com o
Parque da Cidade, com pistas de cooper
e ciclovias ao redor dos
Além do verde garantido pela urbanização do
parque, o projeto do Setor Noroeste também privilegia o meio ambiente. A água
será reaproveitada, os apartamentos usarão energia solar, a ventilação e
iluminação de várias áreas serão naturais, para economizar energia. Haverá
ciclovias em torno de todo o setor e transporte público ao longo das vias do
bairro. Até a coleta de lixo será inovadora, com os resíduos acumulados em uma
área isolada da circulação de pessoas. A pista central terá uma canaleta para as linhas de energia, telefonia e rede de
dados. O gás também será canalizado.
Parceria
O governo quer investir para garantir a infra-estrutura do bairro. O objetivo é
que a pavimentação, as obras de drenagem e os sistemas de água e esgoto já
estejam pronto junto com o término da construção das primeiras projeções. “Não
queremos repetir o erro que houve em Águas Claras, que até hoje tem problemas
de infra-estrutura”, justifica o secretário Cássio Taniguchi.
A estimativa é que, nessa etapa, sejam necessários investimentos de cerca de R$
300 milhões.
O projeto urbanístico, com o traçado das vias e
as áreas destinadas a equipamentos públicos, já custou R$ 6
milhões, mas foi pago pela iniciativa privada. Uma parceria entre o governo e a
Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi)
permitiu que a entidade fizesse os estudos, para acelerar a construção do
setor. As empresas resolveram investir porque têm muito interesse na liberação
do Noroeste.
“Nossa expectativa é grande. Há pouquíssimas áreas
destinadas à habitação para classe média hoje. Com o Noroeste, vamos criar
habitação, gerar empregos e renda”, destaca o presidente da Ademi,
Adalberto Valadão.
Após a conclusão do projeto urbanístico,
falta apenas a aprovação da licença de instalação e o registro em
cartório da área para que o GDF possa licitar as projeções do Noroeste. “ Já pedi ao Ibama para fazermos o termo de referência para
a liberação da licença de instalação. Começaremos a traçá-lo na semana que
vem”, garante o secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Cássio Taniguchi.
O GDF já procurou também a Fundação Nacional do Índio (Funai), para
providenciar a transferência de índios que vivem na área destinada ao Noroeste.
“Já conversamos com a Funai e buscamos soluções para algumas pendências, como a
elaboração de um levantamento da flora da região, exigido pelo Ibama”, explica
a diretora técnica da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap),
Ivelise Longhi.
Os projetos de água, esgoto e luz também estão sendo elaborados pelas companhias Energética de Brasília (CEB) e de Saneamento
Ambiental do DF (Caesb). Eles deverão ser aprovados
antes do início da licitação da área. Com a conclusão de todos os projetos e
com a liberação da licença ambiental, basta apresentar
toda a documentação ao cartório para que o GDF tenha o registro dos lotes. (HM)