17-Jan-2008 às 17:15 - O Setor Noroeste está mais perto de sair do papel. Por meio de decreto publicado nesta

Quarta-feira no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), o governador José Roberto Arruda aprovou o projeto urbanístico da área. Agora, para que aconteça a licitação dos terrenos do novo bairro de Brasília, falta a concessão da licença de instalação pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O documento permitirá que a Terracap faça o registro em cartório dos lotes, e que comecem as obras de infra-estrutura.

Para Ivelise Longhi, diretora técnica da Terracap, não haverá problemas em obter a licença de instalação, que é a segunda etapa do licenciamento ambiental – a primeira é a licença prévia. “O projeto urbanístico foi todo pautado em cima do Estudo de Impacto Ambiental e das condicionantes que o Ibama colocou à época da licença prévia”, afirma. De acordo com ela, nos próximos dias a Terracap enviará o projeto aprovado pelo Executivo simultaneamente ao Ibama e para análise prévia em cartório.

“Assim ganhamos tempo. O registro do cartório só sai após a concessão da licença de instalação, mas eles podem fazer uma pré-análise”, explica a diretora. A Companhia Imobiliária tenta cumprir o prazo apertado dado por Arruda para que os terrenos sejam licitados. “Temos como meta até o final de janeiro, mas estamos dependendo do Ibama”, afirma Ivelise Longhi.

Pendências

Além da licença de instalação, a Terracap tem outras pendências a resolver antes do lançamento do edital de construção do novo bairro. Uma delas diz respeito a um pequeno grupo de índios que vive na área. Eles alegam que uma parte do terreno é da Fundação Nacional do Índio (Funai). Outro impasse é em relação a três lotes particulares localizados na região.

De acordo com a diretora técnica da estatal, o presidente da Terracap, Antônio Gomes, participa de reuniões para solucionar as questões, que podem ser equacionadas com indenizações ou com a transferência dos ocupantes para outras áreas. “Não existe a menor dúvida de que a área é da Terracap. Existe registro em cartório da gleba”, diz Ivelise Longhi.

Bairro ecológico

A construção do Setor Noroeste está prevista no projeto Brasília Revisitada, feito por Lúcio Costa em 1987. No documento, o urbanista traçava diretrizes para a expansão do Plano Piloto, com a construção do Sudoeste e Noroeste.

O Noroeste terá 21 superquadras, cada uma com 11 edificações, e cerca de 40 mil moradores. A intenção do governo do Distrito Federal é tornar o bairro uma referência em soluções ecológicas urbanas. A proximidade do local com o futuro parque Burle Marx, cujo projeto está a cargo do arquiteto Jaime Lerner, funcionará como compensação para a expansão urbana. Além da aprovação do projeto urbanístico, o DODF desta quarta-feira trouxe decreto ampliando a área destinada ao parque, de 175 hectares para 300 hectares.

Além disso, segundo o secretário interino de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do DF, Luís Antônio Reis, as construções e a infra-estrutura do setor serão ecologicamente corretas. “Para as edificações, haverá indução ao uso de energia solar. Já a coleta de águas pluviais será feita de maneira a não levar para o lago Paranoá tantos resíduos sólidos”, explica.

Fonte: Correio Web