Publicação: 15/08/2008 07:59     Atualização: 15/08/2008 08:03

CONTEÚDO RELACIONADO

 

As primeiras projeções do Setor Noroeste serão licitadas no fim deste mês ou no início de setembro, de acordo com previsão da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). O licenciamento ambiental de instalação do novo bairro será liberado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) até a próxima segunda-feira (18/08), como autoriza acordo celebrado entre o órgão e o Governo do Distrito Federal (GDF) no início de agosto. A questão dos 27 índios que vivem no local, no entanto, segue sem solução. Nessa quinta-feira (14/08), a empresa, que é dona das terras, fez uma proposta oficial para transferi-los para outra área no Distrito Federal. O advogado que os representa, no entanto, já adiantou que a comunidade brigará na Justiça pela criação de uma reserva onde eles vivem hoje. O governo pretende esperar cinco dias antes de pedir judicialmente a reintegração de posse da área.

A liberação da licença, mesmo sem uma solução para o caso dos índios, será possível graças a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o GDF e o Ibama em 1º de agosto. Segundo o documento, o órgão federal entregaria o documento em 10 dias úteis desde que a Terracap se comprometesse a cumprir outros prazos referentes a questões ambientais. Em 30 dias a empresa deve definir os limites de uma Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) que será criada entre o Noroeste e a Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia). Em dois meses terá de enviar ao Ibama um inventário de toda a vegetação do local. E, em 90 dias, elaborar um Plano de Gestão Ambiental Integrado do Noroeste e do Parque Burle Marx (veja arte), além de entregar um cronograma da instalação do bairro. As obras de infra-estrutura do local só poderão começar após a aprovação desse plano pelo Ibama, mas os lotes podem ser vendidos antes.


A expectativa do presidente da Terracap, Antônio Gomes, era que a licença já fosse liberada hoje. Um dos motivos da demora é a substituição do superintendente regional, que tem de assinar o documento. O ex-ocupante do cargo, Francisco Palhares, foi exonerado na última segunda-feira e, apesar de sua substituta, a servidora aposentada Suely Monteiro, já ter sido escolhida, ela ainda não assumiu oficialmente. “Estamos aguardando ansiosos a liberação da licença”, afirma Antônio Gomes. “Assim que a tivermos em mãos vamos a cartório pedir o registro do bairro. Nós acreditamos que isso demore até 15 dias”, complementa. Com o registro, Gomes pretende realizar uma grande licitação para vender os 55 primeiros lotes que abrigarão os prédios do Noroeste.


Propostas recusadas

A Terracap registrou ontem na Justiça Federal proposta de doação de 12 hectares, em quatro regiões do DF, às nove famílias de índios que vivem onde será construído o Noroeste. A primeira é uma área anexa ao próprio bairro, que será preservada como Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie), mas os indígenas a consideraram muito urbana. Chácaras no Núcleo Rural Monjolo (Recanto das Emas) e na Fazenda Brejo-Torto (no Ribeiro do Torto em Sobradinho) também foram oferecidas e recusadas. O local que mais agradou aos índios foi um terreno na Fazenda Paranoazinho, perto do Balão do Colorado. “Mas a comunidade decidiu em uma reunião no último dia 6 não aceitar nenhuma proposta”, relata o advogado George Peixoto Lima, que representa os ocupantes. “Agora o conflito será resolvido na Justiça. Nós insistimos na demarcação de uma reserva indígena no local”, completa.


Os índios movem cinco ações na Justiça contra contra a Terracap, numa das quais pedem uma indenização de aproximadamente R$ 74 milhões para desocupar a área — proposta desconsiderada pelo governo. Hoje, às 14h, a comunidade e um grupo de brasilienses que defendem sua causa planejam promover um ato de protesto em frente à Terracap. A empresa não se manifestou quanto à manifestação, mas informou que pretende esperar cinco dias úteis por uma resposta oficial à proposta. Depois disso, a idéia é buscar na Justiça e reintegração de posse da área.