Primeiro lançamento
imobiliário do Noroeste vende 92% dos apartamentos em apenas três dias
Helena Mader
Publicação:
25/08/2009 08:34 Atualização: 25/08/2009
08:45
A demora de mais de 20 anos (1)até o lançamento do Setor Noroeste e a escassez de terrenos
no Plano Piloto fizeram a expectativa em torno do bairro crescer rapidamente.
Por conta disso, construtoras e corretores de imóveis previam uma grande
demanda pelos novos empreendimentos da região. Mas nem os mais otimistas
poderiam imaginar a movimentação que o mercado imobiliário de Brasília
registrou desde sábado, quando a Brasal Incorporações
lançou as vendas do primeiro prédio do Setor Noroeste. Com preços em torno de
R$ 1 milhão, 92% dos 84 apartamentos foram
comercializados em apenas três dias. Até o fechamento desta edição, os seis
imóveis restantes estavam reservados e faltava apenas a conclusão do negócio. O
preço do metro quadrado superou as previsões. Em algumas unidades, o valor é
superior a R$ 9 mil.
O que mais impressiona os especialistas é que a venda de um prédio praticamente
inteiro ocorreu sem a necessidade de montagem de estande e divulgação. Não
houve tempo nem mesmo para anúncios. Os corretores entraram em contato com os
interessados que haviam se cadastrado e, logo depois, foi registrada uma
corrida aos pontos de venda. Também chama atenção o fato de as obras de infraestrutura não terem sequer começado. O futuro Setor
Noroeste ainda é uma enorme área de cerrado, mas o preço do
metro quadrado já bate recordes.
O edifício, que recebeu o nome de Reserva Noroeste, será o Bloco A da SQNW 311.
Todos os apartamentos são vazados, de três ou quatro quartos, com área entre
127m² e 318m². O imóvel mais barato custou R$ 942 mil e o
mais caro — uma cobertura privativa — saiu por R$ 2,5 milhões. Apesar do
preço salgado, as condições de pagamento eram atrativas: parcelamento em até
120 vezes, com 8% de entrada. O preço médio do metro quadrado ficou em R$ 8,2
mil. Os apartamentos serão entregues em, no máximo, 40 meses. O prazo é um
pouco maior do que os normalmente fixados para lançamentos na planta porque o
Noroeste ainda não tem infraestrutura.
Primeiro comprador
O economista Atízio Carlos Rezende Junger, 50 anos, foi o primeiro comprador de um imóvel no
futuro bairro. Ele chegou ao ponto de venda às 8h do
sábado, depois de ser informado sobre o lançamento na sexta-feira à noite. Atízio comprou o imóvel de três quartos como investimento e
espera uma grande valorização. “Esse conceito ecológico do Noroeste vai ser o
grande diferencial. Eu já estava no cadastro de reserva e, assim que me
ligaram, decidi fechar o negócio”, conta o economista.
Quem também comprou um apartamento de três quartos foi o administrador de
empresas Antônio Simões Ramos, 39 anos. Ele decidiu investir em imóveis no
Setor Noroeste. Mas morar no bairro também é um objetivo. “Meu grande sonho de
consumo é comprar uma cobertura no Noroeste. Como ainda não tenho capital para
isso, decidi começar com um apartamento de três quartos”, explica o
administrador. “A valorização vai depender da infraestrutura.
Minha expectativa é de que a urbanização seja feita rapidamente”, acrescenta
Antônio, também um dos primeiros compradores.
O 2º Ofício de Registro de Imóveis do DF liberou o memorial de incorporação (2)do edifício no final da tarde de sexta-feira. Já no sábado
pela manhã, a Brasal Incorporadora e a Lopes Royal
Empreendimentos, responsável pela venda juntamente com a construtora, começaram
a receber os clientes.
Sucesso
O diretor da Lopes Royal, Marco Antônio Demartini,
conta que a expectativa do grupo era justamente por uma demanda expressiva.
“Temos 34 anos de atuação e conhecemos bem a força do mercado de Brasília.
Tinha certeza de que seria um sucesso, já que temos uma demanda reprimida”,
explica Demartini. “A oferta para o Plano Piloto está
muito pequena. As pessoas estavam esperando com ansiedade pelos primeiros
lançamentos no Noroeste”, acrescenta o diretor da Lopes Royal.
Para o gerente comercial da Brasal Incorporações,
Luiz Henrique Alves Martinez, a tendência é de que o preço suba a cada
lançamento. “Um estande de venda, por exemplo, custa mais de R$ 1 milhão. Isso tem que ser embutido no preço dos imóveis
mas, no nosso caso, não foi necessário”, destaca Luiz Henrique. Ele diz que não
se surpreendeu com o resultado. “Nossa proposta foi oferecer apartamentos com
plantas como as de antigamente. Os imóveis são grandes e vazados”, justifica o
gerente comercial. Outro diferencial dos novos prédios é o investimento forte
em áreas de lazer e, pelo menos, duas vagas de garagem para cada unidade.
Depois do primeiro lançamento, a tendência é de uma oferta expressiva de
imóveis no Noroeste a partir de agora. A Via Engenharia foi a primeira a obter
a aprovação dos projetos, mas ainda aguarda a aprovação do memorial de
incorporação para lançar seus empreendimentos. “Nossa ideia
é lançar quatro edifícios de uma vez, para que os clientes tenham um leque
grande de escolha. Em nossos cadastros, já temos mais de 2
mil pessoas interessadas”, conta o diretor de Incorporação da Via, Tarcísio
Leite. A expectativa da empresa é conseguir a documentação na semana que vem.
O Setor Noroeste terá 220 prédios residenciais distribuídos e 198 unidades
comerciais. A Companhia Imobiliária de Brasília já licitou 64 projeções até
agora, 54 delas residenciais. A venda rendeu R$ 675 milhões aos cofres
públicos. A maioria das construtoras que arremataram lotes já
apresentaram projeto de construção à Administração de Brasília — que é
responsável pela análise. Para ganhar alvará, a empresa tem que desenvolver um
projeto de acordo com o conceito ecológico do novo bairro. Os edifícios têm
sistemas modernos de captação de luz solar e recolhimento de lixo a vácuo.
1 - Brasília Revisitada
O urbanista Lucio Costa previu o Setor Noroeste no documento Brasília Revisitada, de 1987. Desde então, o governo e os
empresários investiram para a elaboração dos estudos de impacto ambiental e dos
projetos urbanísticos até que o bairro fosse lançado, em janeiro deste ano.
2 - Documentação
A emissão do memorial de incorporação pelo cartório precede o início das
vendas e da construção do empreendimento. A empresa tem que apresentar ao
cartório uma série de documentos como a prova da propriedade do terreno,
projeto de construção aprovado pelo governo, certidões negativas de impostos,
cálculo da área das edificações, além da discriminação detalhada do acabamento
e material a ser utilizado na construção.
TERRACAP FAZ LICITAÇÃO
A Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) vai licitar, na quinta-feira,
150 lotes legalizados. Eles estão espalhados pelo Distrito Federal, em cidades
como Samambaia, Ceilândia e Taguatinga. Há até um
lote no Setor Bancário Norte. Os preços variam de acordo com o tamanho e a localização.
O espaço mais barato é um terreno comercial de 50m² em Santa Maria: sai por R$
30,2 mil. O mais caro é também uma área para uso comercial, de 1,8 mil m², em Águas Claras: custa R$ 5,2 milhões. Quem quiser
participar da licitação tem até amanhã, às 16h, para ir a uma agência do Banco
de Brasília (BRB) e depositar caução no valor de 5% sobre o preço do imóvel. Na
maioria dos casos, o valor total pode ser parcelado em até 240 meses.
Servidores do GDF e da União podem comprar lotes com prestações a juros de 6%
ao ano, em vez dos 12% normalmente cobrados. Para obter o benefício, no
entanto, os órgãos dos servidores devem firmar convênio com a Terracap para que
a prestação seja descontada na folha de pagamento.
fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/08/25/cidades,i=137472/PRIMEIRO+LANCAMENTO+IMOBILIARIO+DO+NOROESTE+VENDE+92+DOS+APARTAMENTOS+EM+APENAS+TRES+DIAS.shtml